Há mais de 25 anos que algumas cartas do TCG Pokémon passaram de simples brinquedo a objeto de coleção, por vezes leiloadas como obras de arte. No entanto, nem todas as cartas seguem esse caminho. Neste artigo, analisamos as quatro grandes razões que fazem subir o preço de uma carta: a ausência de reimpressões, os erros de fábrica, a lei da oferta e da procura e a força de uma ilustração.
É a razão principal. Uma expansão Pokémon é impressa durante um período limitado; depois a produção para e a editora passa à série seguinte. As saquetas desaparecem das prateleiras e o número de exemplares de uma carta fica fixo: a partir daí só pode diminuir. Ao longo dos anos, parte das cartas é jogada, dobrada, estragada pela humidade ou simplesmente perdida. Os exemplares em muito bom estado tornam-se cada vez mais difíceis de encontrar.
Foi exatamente o que aconteceu com as cartas da Coleção Básica de 1999. Na altura, milhões de crianças manusearam-nas sem proteções, trocaram-nas no recreio e guardaram-nas em dossiês de argolas… Resultado: um Charizard holográfico em perfeito estado é hoje uma raridade, e o preço reflete isso.
Para um colecionador, a pergunta é simples: quantos exemplares desta carta ainda existem em estado impecável? Quanto menos houver, mais conta cada um.
Paradoxalmente, uma carta mal impressa pode valer muito mais do que a versão «correta». Quando um erro é detetado e corrigido durante a produção, só os primeiros exemplares o têm. Tornam-se uma variante rara, quase uma curiosidade, que os colecionadores mais apaixonados querem a todo o custo. Estes são os erros mais frequentes:
Alguns erros tornaram-se lendários. O Pikachu de «bochechas vermelhas» da Coleção Básica 1.ª Edição, cujas bochechas foram depois recoloridas a amarelo, ou as cartas holográficas da expansão Jungle impressas sem o símbolo da expansão, são procurados por colecionadores de todo o mundo. O famoso Charizard Shadowless não é propriamente um erro, mas ilustra o mesmo princípio: uma variante do início da produção, impressa em pequena quantidade, vale muito mais do que as tiragens seguintes.
Atenção, porém: nem todos os erros têm valor. Uma carta simplesmente mal centrada ou riscada é sobretudo uma carta em pior estado. O que dá valor a um erro é ser conhecido, documentado e procurado. E como estas cartas também atraem falsificadores, mandar autenticar um erro por uma empresa de avaliação continua a ser a melhor forma de provar que é autêntico.
Uma carta não tem preço oficial. O seu valor é simplesmente o que um comprador está disposto a pagar num dado momento. A Pokémon não tem nada a ver com isso: o preço nasce do encontro entre a oferta (os exemplares à venda) e a procura (os colecionadores que a procuram). Uma carta raríssima que ninguém quer continuará barata. Pelo contrário, uma carta bastante comum, mas procurada ativamente por milhares de pessoas, pode atingir valores enormes. Quanto mais compradores houver para uma carta, mais ela vale. Vários fatores fazem subir essa procura:
O exemplo mais claro continua a ser o Pikachu Illustrator. O influenciador Logan Paul tinha comprado o único exemplar avaliado PSA 10 por cerca de 5,3 milhões de dólares. Em fevereiro de 2026, revendeu-o num leilão da Goldin por 16,49 milhões de dólares, um recorde mundial homologado pelo Guinness World Records para uma carta colecionável. A carta não ficou mais rara entretanto: foi a competição entre alguns compradores abastados que triplicou o seu preço em menos de cinco anos.
O reverso da medalha é que os preços também podem descer. Depois do boom de 2020-2021, muitas cartas perderam parte do valor quando o entusiasmo arrefeceu. Para acompanhar o valor real de uma carta, o mais fiável é olhar para as vendas recentes em plataformas como a Cardmarket, e não para os preços pedidos pelos vendedores.
Algumas cartas não são mais raras do que outras e, mesmo assim, valem muito mais. Porquê? Pela ilustração. Uma carta bonita, com um desenho original, uma cena cheia de detalhes ou um Pokémon adorado pelo público, é simplesmente mais procurada. E como é a procura que faz o preço, uma ilustração apreciada basta para fazer subir a cotação.
A expansão Escarlate e Violeta 151 é um bom exemplo. O Charizard ex e o Zapdos ex existem ambos em versão Ilustração Especial Rara: mesma raridade, mesma probabilidade de sair numa saqueta. Ainda assim, o Charizard vende-se por várias vezes mais. O mesmo acontece com as Ilustrações Raras da série: as dos iniciais ou do Pikachu são muito mais procuradas do que as de Pokémon menos populares.
O nome do ilustrador também conta. Mitsuhiro Arita (o Charizard e o Pikachu da Coleção Básica), Ken Sugimori (o Blastoise da Coleção Básica) ou artistas mais recentes como miki kudo (o Charizard ex de 151) têm os seus fãs, prontos a pagar mais para completar uma coleção em torno de um estilo. As cartas «full art» e as ilustrações que contam uma pequena história são muitas vezes as mais procuradas de uma expansão.
Seja qual for a razão do seu valor, uma carta só atinge todo o seu potencial em muito bom estado. Centragem, cantos, bordas e superfície: o mais pequeno defeito pode reduzir o preço para metade, ou mais. É por isso que uma carta avaliada, protegida numa caixa selada e com uma nota oficial, se vende mais facilmente e mais cara do que uma carta não avaliada. A nota tranquiliza o comprador quanto à autenticidade e ao estado da carta. Para saber mais, lê o nosso artigo porque avaliar as tuas cartas.
Uma carta Pokémon ganha valor quando o seu stock diminui, quando apresenta uma particularidade rara como um erro de fábrica e, sobretudo, quando muitos colecionadores a procuram, seja por nostalgia, pelo Pokémon representado ou pela beleza da ilustração. Ainda assim, nada é garantido: é o mercado que decide. Se tens uma carta que cumpre vários destes critérios, mandá-la avaliar é a melhor forma de a proteger e de ver o seu valor reconhecido.